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Golpistas de evangélicos em MT são alvos da PF

O esquema é perfeito, ou quase perfeito. Os “pastores”, alguns até classificados como “consus”, na realidade são falsos investidores que vendem o “nada” e em troca fazem verdadeiras fortunas. As vítimas, a maioria evangélicos, que quando descobrem que foram enganados, mesmo assim continuam acreditando na fé dos vendedores de ilusões.

Foi assim em Mato Grosso. Em abril de 2016, a Polícia Civil do Estado, expôs o esquema que funcionava à luz do dia na cidade de Primavera do Leste (Sul, a 300 quilômetros de Cuiabá). Lá, como em Mato Grosso do Sul e outros Estados brasileiros, a maioria das vítimas também eram pessoas evangélicas.

Até hoje não se sabe o montante de tanto dinheiro arrecado com falsas promessas, de pobres chegarem à fortuna de maneira rápida e fácil.  O certo é que o esquema em Primavera do Leste mais de 500 pessoas que caíram no golpe, mas com medo ou vergonha, não quiseram denunciar os bandidos à Polícia.

O esquema é perfeito, ou quase perfeito, tanto é verdade, que centenas de pessoa no Sul de Mato Grosso podem ter perdido, não muito, mas que somando,  fazem bandidos disfarçados de “profetas”, de milionários do dia para a noite.

O pior, no entanto, é que apesar das perfeitas investigações da Polícia Civil de Mato Grosso chegou aos culpados, inclusive com provas evidentes, a Polícia daqui encontrou muitas dificuldades até para localizar as próprias vítimas.

A REPORTAGEM 

O esquema dos estelionatários desmontado nesta terça-feira (21) pela Polícia Federal e Receita Federal em Campo Grande (MS) usava técnicas de marketing multinível e atacava grupos vulneráveis para fazer as vítimas entregarem dinheiro com promessa de lucros milionários, muitas vezes, baseada apenas na fé.

Para atrair os ‘investidores’, usavam elaborado e fantasioso roteiro que envolve a existência de antigas minas de ouro em Mato Grosso do Sul, documentos do Tesouro Nacional, um julgamento trilionário na justiça sul-mato-grossense e muita lábia.

Apesar de não haver qualquer ligação com entidades religiosas, entre as vítimas há muitos evangélicos que foram recrutados por ‘irmãos’ e líderes de igrejas em diversos estados brasileiros. Formavam ‘equipes’ de propagação como ‘Os Milionários’, ‘Filhos do Rei’ ou ‘Anjo AUMETAL’. Basicamente, quem ‘entrava’ tinha de entregar pelo menos R$ 2 mil sem qualquer garantia.

A operação cumpriu mandados em um condominio de luxo, no Bairro São Francisco, na Capital. Além de mandados de busca e apreensão na empresa Company Consultoria, do empresário Celso Edgar Gonzaga Araújo. Também foram cumpridos mandados na residência do empresário, que teve um mandado de prisão contra ele. Os três carros de luxo da residência foram levados pelos policiais.

Operação AUMETAL 

Com sede chique no centro de Campo Grande, a ‘Company Consultoria Empresarial’, movimentou verdadeiro exército de propagadores que vendiam para familiares e conhecidos ‘contratos’ de participação nos lucros da ‘Operação AU METAL 27058’.

Garantiam que tal operação financeira renderia milhares de reais por repatriação de direitos referentes a uma mina de ouro em território sul-mato-grossense.

Celso Éder Araujo, apresentado em vídeos da empresa como ‘cônsul’, seria o procurador da família Araujo, detentora dos direitos da mina que nunca existiu. Na sede da empresa, onde a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão nesta manhã, um brasão opulento da família remete ao enredo.

A PF confirmou que Celso é alvo de um mandado de prisão temporária.images (2)

 

Evangélicos entre ‘presas fáceis’

Mesmo sem qualquer registro sobre a suposta mineração de ouro em grande escala nas terras pantaneiras, muita gente caiu. O sistema era impulsionado pela expectativa de que, quanto mais gente um investidor atraísse, mais lucro teria. Típico dos esquemas de pirâmide financeira.

Já faz algum tempo que o esquema era considerado caso de polícia. Em abril de 2016, a Polícia Civil de Mato Grosso expôs o esquema em Primavera do Leste (MT), onde 500 pessoas, a maioria de evangélicos, podem ter caído no golpe, com prejuízo total de mais de R$ 1 milhão.

Apesar das denúncias de alguns e evidências, a polícia teve dificuldade até para localizar as vítimas, quase todas ‘irmãos de igreja’. “Quase ninguém procurou a polícia. Muita gente ainda acredita que vai ganhar R$ 300 milhões sem fazer nada. É um golpe elaborado que usa a fé das pessoas”, relatou à época o delegado da Polícia Civil de MT, Rafael Fossari.

Em 9 de junho de 2016, após uma consulta oficial, o Banco Central do Brasil já havia se manifestado para avisar que a tal AU METAL – Contrato 27058 sequer é um tipo de operação realizada pelo órgão.

“(…) o Banco Central do Brasil não realiza esse tipo de operação, sendo totalmente falso qualquer documento da espécie que contenha o nome desta Autarquia, devendo o caso ser levado ao conhecimento da autoridade policial, a quem compete investigar fatos criminosos. Deve-se registrar, ainda, que, nos termos do art. 12 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1965, ‘o Banco Central do Brasil operará exclusivamente com instituições financeiras públicas e privadas, vedadas operações bancárias de qualquer natureza com outras pessoas de direito público ou privado, salvo as expressamente autorizadas por lei’. Por último, informo que há notícias de que no Estado do Mato Grosso do Sul tem havido negociações de supostos direitos decorrentes da chamada ‘operação AU-METAL 27058’ que, por suas características, revela clara hipótese da prática do crime de estelionato na modalidade de antecipação de pagamento, em que o estelionatário promete ceder um determinado bem (obviamente inexistente) a troco da antecipação do pagamento, pela vítima, de parte do valor desse mesmo bem (…)”, diz a nota, disponível na internet.

O negócio altamente lucrativo chegou a ter variáveis, que se tornaram rivais. Há ainda na internet vídeos onde Celso Araujo garante que ‘opera com a Polícia Federal’, desafia quem questiona o esquema a provar que tudo era fraude e até um em que ataca o esquema da ‘Operação SAP (Sidney Anjos Peró)’, aparentemente um concorrente.

Operação Ouro de Ofir

Agora, com a Operação Ouro, deflagrada em conjunto pela Polícia e Receita Federais, a ‘Company’ e o ‘cônsul Eder’ são apontados como responsáveis por manter uma espécie de instituição financeira clandestina.

Segundo a Polícia Federal, criaram até um fantasioso ‘contrato de doação mediante pagamento’. Há ainda suspeita de uso de documentos falsos, como certidões de LTNs (Letra do Tesouro Nacional) e outros documentos de instituições públicas federais.

Estão envolvidos nas atividades referentes à deflagração aproximadamente 70 (sessenta) Policiais Federais, Servidores da Receita Federal e Policiais Militares, para o cumprimento de 11 Mandados de Busca e Apreensão, 4 Mandados de Prisão Temporária e 4 Mandados de Condução Coercitiva, nas cidades de Campo Grande (MS), Terenos(MS), Goiânia(GO) e Brasília (DF).

Fonte: 24 horas niws.

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